Enquanto a Amazônia Legal como um todo apresentou queda no desmatamento em 2025, o Mato Grosso caminhou na direção oposta: foi o único, entre os nove estados da região, a registrar aumento na taxa de supressão da vegetação nativa, com alta de 26,73% em relação ao ano anterior. O resultado contrasta fortemente com a tendência observada nos demais estados e chama atenção para os desafios específicos de controle do desmatamento no território mato-grossense.
Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo Monitoramento Anual da Supressão da Vegetação Nativa (Prodes), e referem-se ao período de 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025.
Panorama geral da Amazônia Legal
A taxa consolidada de desmatamento na Amazônia Legal em 2025 é de 5.731 km², segundo os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo Monitoramento Anual da Supressão da Vegetação Nativa (Prodes). Os dados são referentes ao período de 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025 e representam uma redução de 12,07% em relação à taxa de 2024, que foi de 6.518 km2.
Oito dos nove estados da Amazônia Legal tiveram redução do desmatamento entre 2024 e 2025, sendo os valores mais acentuados observados no estado de Roraima (-39,10 %), Amapá (-37,04%) e Rondônia (-36,39%). O estado de Mato Grosso foi o único que apresentou aumento do desmatamento (26,73 %).
O Prodes considera como desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso (subdividido em desmatamento por corte raso com solo exposto, com vegetação, mineração e floresta inundada) ou o estágio final de uma degradação progressiva da floresta em que há perda completa do dossel, independentemente da futura utilização destas áreas.
O INPE utiliza dados dos satélites Sentinel, da Agência Espacial Europeia (ESA), que são pré-processados e disponibilizados pelo projeto Brazil Data Cube (BDC), iniciativa brasileira em dados prontos para análise desenvolvida pelo Instituto.
Desde 1988, o INPE realiza o mapeamento sistemático da Amazônia Legal e produz as taxas anuais de desmatamento. A série histórica do Prodes é utilizada pelo governo brasileiro para avaliação e estabelecimento de políticas públicas relativas ao controle do desmatamento, emissões de gases de efeito estufa e ações voltadas à temática de REDD+.
Além do uso governamental, os dados do Prodes embasam iniciativas bem-sucedidas no setor privado que conjugam produção e sustentabilidade, como a Moratória da Soja e o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) da cadeia produtiva de carne bovina, entre outras.
A série histórica da taxa de desmatamento também é utilizada em milhares de trabalhos acadêmicos, demonstrando sua importância na área científica e ambiental em benefício da sociedade brasileira. (Redação Eh Fonte)