Em MT, três municípios que mais desmatam combinam alta renda e desigualdade

Redação

Os municípios de Mato Grosso que figuram entre os maiores desmatadores do país apresentam um cenário que combina avanço econômico pontual e concentração de renda. Entre as 50 cidades líderes em devastação ambiental no Brasil, três mato-grossenses — Aripuanã, Nova Bandeirantes e Paranatinga — são as únicas com rendimento médio acima da média nacional.

As informações foram divulgadas em levantamento do jornal Folha de S.Paulo, que analisou dados de desmatamento entre 2008 e 2022, com base no Prodes (Inpe), cruzados com o rendimento mensal por município em 2022, do IBGE.

Em Aripuanã, a renda média chega a R$ 3.209,40; em Nova Bandeirantes, a R$ 2.875,32 — ambos localizados na Amazônia mato-grossense. Já em Paranatinga, próxima ao Parque Indígena do Xingu, o rendimento é de R$ 2.852,79, também acima da média nacional, de R$ 2.850,64. Apesar disso, especialistas alertam que o aumento da renda não significa melhora na distribuição de riqueza nessas regiões.

Paranatinga exemplifica a expansão do agronegócio associada ao desmatamento. A área plantada de soja quadruplicou entre 2008 e 2022, saltando de 63 mil para 260 mil hectares. Já em Aripuanã e Nova Bandeirantes, onde não havia cultivo do grão em 2008, as áreas chegaram a 4.200 e 3.700 hectares, respectivamente, em 2022.

Segundo a professora Jaçanan Milani, da UFMT, a renda elevada está concentrada em grandes propriedades rurais. “As regiões concentram terras nas mãos de poucos fazendeiros, que detêm a maior parte dos recursos”, afirma. A cientista Luciana Gatti, do Inpe, reforça que a agricultura mecanizada gera poucos empregos, limitando o impacto positivo na economia local.

Maioria tem renda abaixo da média

No cenário nacional, a maior parte dos municípios que lideram a destruição ambiental apresenta indicadores econômicos mais baixos. Das 50 cidades com maior desmatamento, 47 têm rendimento inferior à média do país. É o caso de Altamira (PA), o maior município do Brasil em extensão territorial e com o maior volume de desmate no período, onde a renda per capita é de R$ 2.491,17. Em Lábrea (AM), que lidera a devastação no Amazonas, o rendimento é ainda menor, de R$ 1.590,46.

Especialistas apontam ainda que o desmatamento está associado à economia clandestina, à desigualdade e a impactos ambientais, como redução de chuvas e aumento de temperaturas.

Além disso, estimativas indicam que grande parte do desmatamento no país ocorre de forma ilegal, o que agrava problemas sociais e fiscais nas regiões afetadas.

 

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