Pantanal vai ter ampliação de duas áreas protegidas e setor produtivo reage

O Pantanal, bioma de rica biodiversidade e relevância mundial,  terá ampliação de duas importantes Unidades de Conservação geridas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio): o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense (PNPM), localizado em Poconé (MT), e a Estação Ecológica de Taiamã, em Cáceres (MT).  As ampliações propostas buscam proteger áreas ecologicamente sensíveis, mas têm gerado discussões envolvendo diferentes setores sociais e econômicos.

A proposta de ampliação do PNPM visa incorporar 47.327 hectares, abrangendo as Fazendas Porto Novo II e Belica em sua totalidade e parte da Fazenda Bom Futuro. Essa expansão busca alinhar os limites do parque aos sistemas hidrológicos da região – lagoas, baías, corixos e trechos de drenagem essenciais para a biodiversidade local e o ciclo hidrológico do Pantanal. Esses ambientes, conhecidos por abrigar berçários de peixes, são vitais para a manutenção dos estoques pesqueiros e a resiliência do bioma diante de incêndios e mudanças climáticas.

O presidente do ICMBio, Mauro Pires, destacou ao eh fonte que a ampliação trará ganhos ambientais significativos por proteger áreas estratégicas e assegurar a conectividade entre habitats aquáticos e terrestres. Pires ressaltou que “a medida favorecerá o fluxo gênico e a qualidade dos serviços ecossistêmicos, além de reduzir impactos negativos como incêndios e degradação da qualidade da água”.

Com todas as propriedades dentro da área do parque já adquiridas pelo governo, a proposta prevê que novas áreas sejam anexadas por meio de aquisição voluntária. A consulta pública sobre o tema ocorreu em agosto de 2025 e recebeu manifestações de diversos setores.

Estação Ecológica de Taiamã: proteção ampliada

Em Cáceres, a proposta discutida em consulta pública envolve a ampliação da Estação Ecológica de Taiamã para 56.918 hectares, com a criação de uma zona de amortecimento de 1.769 hectares. Atualmente, a estação cobre 11.554 hectares na região do Pantanal Norte e representa um refúgio crucial para espécies como a onça-pintada, além de proteger áreas hidrológicas importantes, como o Rio Paraguai.

Segundo a coordenadora da Diretoria de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do ICMBio, Maria Helena Reinhardt, a ampliação visa preservar ambientes aquáticos e alagados, aprimorar a fiscalização contra incêndios e garantir proteção às espécies ameaçadas. A proposta também gera benefícios indiretos, como o aumento na arrecadação do ICMS Ecológico e o desenvolvimento socioeconômico baseado na sustentabilidade.

Por outro lado, a ampliação abrange áreas privadas produtivas na região, o que tem causado preocupação entre os proprietários rurais. Bruno de Faria, representante da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), participou da consulta pública e destacou a importância de equilibrar preservação e segurança jurídica. “Os produtores rurais já cumprem rigorosamente o Código Florestal, garantindo a sustentabilidade. Não é necessário desapropriar áreas que já são conservadas por quem vive da terra”, afirmou.

A analista de meio ambiente, Tania Arévalo, reforçou a necessidade de diálogo e transparência. “Medidas devem considerar os impactos socioeconômicos das famílias que produzem e preservam há décadas. Essas ações precisam ser construídas com equilíbrio e respeito à realidade local”.

Fonte: ICMBio

Divergências marcam o debate ambiental

Para a doutora Solange Ikeda, especialista em ciências ambientais e coordenadora do Instituto Gaia, “a ampliação das UCs fortalece a pesquisa científica e assegura a proteção de ambientes únicos para a biodiversidade do Pantanal”.

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, apenas 4,68% do bioma Pantanal está protegido por unidades de conservação, sendo a maior parte designada para uso sustentável. Novas expansões buscam elevar essa porcentagem, garantindo maior preservação do bioma e resiliência ao impacto humano e climático.

Próximos passos

Agora, a sociedade tem prazo de 15 dias para enviar sugestões e contribuições às propostas de ampliação. O processo reforça a importância do debate democrático e da ciência na tomada de decisões que afetam um bioma que é patrimônio natural não só do Brasil, mas do mundo

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