Mineradora financiada pelo Master tem nove pedidos no entorno do Cristalino

Por Isaac Prado

A mineradora 3D Minerals, financiada pelo Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, possui nove requerimentos para exploração de cobre e cassiterita no entorno do Parque Estadual Cristalino, no norte de Mato Grosso. A região é a mais afetada pelos requerimentos para exploração de minerais críticos apresentados pela empresa, segundo levantamento do Observatório da Transição Energética, da Repórter Brasil.

Dos nove pedidos, dois estão localizados na divisa da unidade de conservação, enquanto os outros ficam na fronteira sul do parque, às margens do rio Teles Pires, um dos formadores do rio Tapajós. A mineração dentro do parque é expressamente proibida. Na zona de amortecimento (área de 10 km no entorno), porém, as atividades minerárias foram liberadas por meio de uma portaria publicada em 2014 pelo então governador Silval Barbosa, ex-garimpeiro e empresário do setor de mineração. A medida foi contestada, na época, pelo Ministério Público Federal e por ambientalistas.

Desde então, o novo plano de manejo passou a permitir a atividade na região, desde que o licenciamento ambiental comprove que a exploração não causará impactos ou danos diretos ou indiretos à unidade de conservação. Segundo o levantamento, entre 2018 e 2024, foram registrados 18 processos para exploração de minerais críticos no entorno do parque, todos voltados à extração de cobre e cassiterita.

Foto: João Paulo Krajewski

A Agência Nacional de Mineração (ANM) já concedeu diversas autorizações na região, sob o argumento de que o Parecer nº 525/2010 permite a concessão de direitos minerários na zona de amortecimento de Unidades de Conservação de Proteção Integral. Questionada pela Repórter Brasil, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) afirmou que “não licencia empreendimentos de mineração no entorno do parque”, mas informou que, após decisão judicial, autorizou o licenciamento de três empreendimentos.

Em escala nacional, a 3D Minerals possui 88 áreas de exploração de minerais críticos sobrepostas ou localizadas na zona de impacto de pelo menos 127 áreas protegidas. Segundo o levantamento, são potencialmente afetadas dez terras indígenas, cinco territórios quilombolas, 23 unidades de conservação e 89 assentamentos da reforma agrária.

Entre as terras indígenas potencialmente impactadas estão Kayabi e Piripkura, em Mato Grosso; Kayapó, Mãe Maria e Xikrin do Rio Cateté, no Pará; e Yanomami, em Roraima. O levantamento também aponta possíveis impactos sobre os territórios quilombolas Lagoa Grande, em Minas Gerais; Pitombeira, na Paraíba; Kalunga e Família Magalhães, em Goiás.

Das 88 áreas com possíveis impactos sobre territórios protegidos, pelo menos 73 já tiveram a pesquisa mineral autorizada pela ANM, conforme dados públicos da agência referentes a abril de 2026. Os processos envolvem minerais como cobre, lítio, bauxita, cassiterita e terras raras.

Financiamento do Master

A 3D Minerals arrematou as áreas em um leilão da ANM realizado em agosto de 2024, apenas 45 dias depois de sua criação. Segundo a Folha de S.Paulo, a empresa obteve 276 áreas minerárias no certame, das quais 116 destinadas a minerais críticos, usados em setores como tecnologia, energia e indústria bélica.

Três meses depois, recebeu um empréstimo de R$ 152,9 milhões do Banco Master para financiar as aquisições, oferecendo metade de suas ações como garantia. Conforme a reportagem, após a liquidação do Master pelo Banco Central, o crédito passou ao Banco de Brasília (BRB).

A mineradora pertence aos irmãos Daniel e Eduardo Wanderley, empresários de Belo Horizonte com atuação na construção civil.

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